Governo dos Açores assina protocolo com a Casermel – Cooperativa de Apicultores e Sericicultores de São Miguel l para a construção de uma melaria em São Miguel.

José Manuel Bolieiro assinou ontem, no palácio de Santana, um protocolo com José Garpar, da Casermel, que visa a cedência de um terreno, à Casermel, para a construção de uma melaria em São Miguel.
O Presidente do Governo Regional dos Açores começou por congratular a “Casermel e todos os seus associados, enquanto cooperativa pelo magnífico trabalho que desenvolvem na produção da apicultura em São Miguel e nos Açores”.
De seguida, o governante enalteceu o orgulho que tem “enquanto açoriano e governante na qualidade do nosso mel e da apicultura aqui realizada. Ambientalmente ela é sustentável, sob o ponto de vista até da marca ‘Açores’ é excepcional porque tem uma qualidade significativa e até é exclusivo: nós temos o mel de incenso, que é uma exclusividade dos Açores. Também porque é denominação da origem protegida e, portanto, dá valor acrescentado a este produto”.
Para José Manuel Bolieiro “o sucesso e o estado da arte é tão bom que não pode parar, e por isso, este objectivo de uma melaria aqui em São Miguel, eu comungo enquanto governante com esta ambição da Casermel e, em parceria também, espero que possamos desenvolver com a Associação Agrícola de São Miguel, que, aliás tem sido ao longo dos tempos parceira da própria Casermel”.
“Nós temos já identificado um terreno que desde 2017 estava a ser referenciado. Mas agora, felizmente, já temos tudo para poder fazer um acordo que vamos desenvolver a forma jurídica mais adequada. Pode ser pela via de um comodato, como pode ser pela via de um direito de superfície ou outra que favoreça, desde logo, a Casermel com uma oportunidade depois de construção da melaria e de definição da sua actividade”, indicou o governante.
José Manuel Bolieiro prosseguiu, afirmando estar “muito empenhado porque esta relação institucional tem sido cordial com o Governo e com a Casermel. Tem agora aqui um potencial novo. Uma mudança, aliás, de paradigma como o senhor presidente da direcção me fez referência e estou empenhado para dar consequência e o mais rapidamente possível termos aqui, em São Miguel, uma melaria que seja um caso de estudo pela excelência e qualidade.”
Em relação aos apoios que a Casermel poderá ter por parte do Governo, o governante informou que, “no futuro, vai desenvolver-se com muitos mais outros apoios. Quem sabe designadamente com a disponibilidade de fundos comunitários, mas o mais imediato agora, porque o que tem de ser primeiro é obviamente a cedência do terreno para se proceder, depois, à construção da melaria. O terreno fica em Santana, Rabo de Peixe, em uma zona própria nas proximidades das instalações de própria Associação Agrícola”, finalizou.
A importância da entreajuda Entre o Governo, CASERMEL e Associação Agrícola.
José Gaspar, Presidente da Casermel desde Junho de 2024, informou que este protocolo procurou “dar nota daquilo que são os nossos anseios no curto prazo. E o nosso grande anseio é, de facto, a concretização do projecto da melaria para a Casermel. Congratulamo-nos com se finalizar um processo que se arrastou aqui por algum tempo de cedência do terreno para a construção da melaria estar resolvido. E, agora, há o compromisso do Governo Regional na cedência desse terreno e, portanto, perspectiva-se agora a construção da melaria”.
“Tivemos, de facto, da parte do Governo, uma perspectiva muito positiva nesse sentido, e, portanto, saímos daqui muito satisfeitos e congratula-nos essa perspectiva”, disse José Gaspar.
“Tivemos a oportunidade, naturalmente, para dar nota daquilo que é o estado da apicultura nos Açores e em São Miguel, ao Presidente do Governo e na sequência disso, principalmente nota da necessidade de nós avançarmos no sentido de disseminarmos a proliferação de plantas melíferas e de plantas poríferas, sobretudo na preocupação com os polinizadores e da abelha como polinizador por excelência que faz uma polinização selectiva. Temos que, também, dar passos nesse sentido da sustentabilidade ambiental, até porque a própria dimensão que o turismo está a adquirir expõe-nos nesse sentido, e portanto, é uma responsabilidade de todos”, prosseguiu.
Sobre os apoios a receber, o Presidente da Casermel informou que o importante agora “é o enquadramento da construção da melaria. Portanto, vamos ver essa perspectiva numa entreajuda entre o Governo Regional, entre os apoios através do PEPAC, em concertação com a própria Cooperativa União Agrícola, com o Jorge Rita. Será o resultado do esforço desta concertação entre Casermel, o Governo Regional e a Associação Agrícola que, naturalmente, vamos ser bem-sucedidos julgamos nós neste projecto”.
Vespa asiática causa preocupação
Questionado sobre a situação actual da Vespa Asiática, José Gaspar informou que a Casermel olha para a presente situação com preocupação. “Actualmente, olhamos para a situação da Vespa Asiática com bastante preocupação na medida em que nos fomos motivando e esforçando no sentido de que essa praga não entrasse aqui nos Açores, não entrasse em particular em São Miguel e agora, num esforço muito grande, no sentido de tentarmos travar o avanço. É esse o nosso propósito, de conseguirmos, efectivamente, combater a Vespa Asiática e, à semelhança do que foi feito, por exemplo em Lanzarote, conseguirmos erradicar. Vamo-nos empenhar, naturalmente, com preocupação por aquilo que está a acontecer, mas também com ânimo e com a convicção de que podemos ter sucesso”.
“Foi com grande satisfação que assistimos à assinatura daquele protocolo”. Foi com esta afirmação que José Gaspar se referiu ao protocolo assinado na passada segunda-feira nos Serviços de Desenvolvimento Agrário e de que o nosso jornal deu conta. “Aliás era uma reivindicação nossa, da Casermel, portanto do fundo de identificação molecular da Apis Melífera dos Açores. No sentido de perspectivamos se existem características que podem considerar como abelha autóctone e isso dar-nos-á também, no futuro uma perspectiva de sabermos que património genético é que devemos ter e que devemos optar. É, portanto, também uma orientação muito importante naquilo que vão ser as decisões futuras para a apicultura em São Miguel e nos Açores”.
Quando questionado sobre que mais-valias este protocolo poderá trazer, o Presidente da Casermel informou que “pode ser uma mais-valia para podermos privilegiar uma espécie que veio para os Açores com os primeiros povoadores que se adaptou e que está melhor adaptada. E essa é a vantagem maior, porque nós temos um clima próprio. O ritmo das estações nos Açores é próprio. Nós temos a estação sempre retardada em relação à Europa continental e esta abelha que está aqui há 500 anos, adaptou-se. Por exemplo, nós conseguimos ver num dia de chuva miudinha ela trabalhar nas flores e isso significa que há uma adaptação às nossas condições climáticas. E essa definição que vai resultar deste estudo vai-nos permitir, de facto, fazer uma aposta naquilo que nós julgamos que é o que está melhor adaptado aos Açores e que melhor nos permite ter sucesso na apicultura”.
“Absolutamente e a vários níveis, porque, naturalmente, promovemos a ciência nos Açores, promovemos os cientistas nos Açores, valorizamos a universidade e são fundos que ficam cá. É um prestígio para todos nós termos uma universidade cá. As universidades são os centros de ciência e os centros de produção de ciência. E nós temos que valorizar a Universidade dos Açores enquanto centro de produção de ciência, de ensino e de conhecimento”, finalizou José Gaspar, respondendo a uma questão sobre a importância deste estudo ser feito pela Universidade dos Açores.